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21 de fevereiro de 2014

Polêmicas no apito marcam estadual e comissão recorre à ajuda de psicóloga

(Erros em jogos do Campeonato Piauiense têm gerado atritos entre times e arbitragem. Federação pensa em tecnologia, e comissão diz que reclamações são desnecessárias).


Por - Teresina (PI).
Arbitragem no Campeonato Piauiense (Foto: Emanuele Madeira/GLOBOESPORTE.COM)
Arbitragem no Piauiense é alvo de críticas
(Foto:Emanuele Madeira/GloboEsporte.com)
No olho de um furacão, a arbitragem do Campeonato Piauiense tem vivido um mal momento: desacreditada nas primeiras rodadas do estadual, envolvida em polêmicas e duramente contestada por técnicos, jogadores e dirigentes. Dentro de campo, o apito tem virado personagem (vilão, na maioria dos casos) do jogos.

Incoerência em lances, erros de impedimento, marcações duvidosas e abuso no uso dos cartões são reclamações constantes nos discursos dos times. Enquanto os clubes cobram maior rigor na avaliação de desempenho dos árbitros, a Comissão de Arbitragem do Piauí não vê a má fase e interpreta que as reclamações são pontuais. Para que o ambiente de discussões não interfira nos trabalhos, uma psicóloga passou acompanhar os trabalhos dos profissionais nos jogos, com direito a orientações nos vestiários antes dos jogos. O trabalho, por enquanto, é experimental.    

A Federação de Futebol do Piauí acompanha as reclamações e o trabalho realizado pela comissão. O presidente da FFP, Cesarino Oliveira, defende o uso da tecnologia nos gramados para diminuir os erros da arbitragem, mas destaca que a falta de recursos financeiros impede a implantação.  

- Não conseguimos nem fazer uma rampa no Estádio Albertão para acessibilidade, como vamos adequar nossos estádios como esses recursos eletrônicos. Será que vamos ter condições? Acompanhamos as condições oferecidas aos árbitros, como cursos e preparação. Existe a preocupação que os erros diminuam, por isso estamos fazendo essas ações – analisa Cesarino. 
Evair, técnico do River-PI, não poupou nas críticas. Uma bola salva em cima da linha no clássico Rivengo, tirada pelo zagueiro Zuza, acendeu a discussão e aumentou as dúvidas. Fora o lance polêmico, o comandante tricolor acusou a arbitragem de prejudicar a equipe durante o Piauiense.   

- Eu vi algumas partidas do estadual. Fui até ao Estádio Lindolfo Monteiro assistir, vejo pela televisão e percebo que alguns árbitros, principalmente quando se trata de River-PI, não apitam da mesma maneira como nos outros jogos. É muita falta, e árbitro preocupado em empatar os jogos. Toda hora falta, parando o jogo, segurando os times. Então acho que são situações que precisamos analisar bem porque no final faz falta – acredita Evair. 

- Realmente não sei o que está acontecendo este ano que as atuações dos árbitros estão tão ruins. Não é questão de errar, que isso faz parte do jogo, mas a falta de coerência - Paulo Moroni, treinador do Piauí.

Thiago Marabá, meia do River-PI, Adrianinho, do Piauí, e Ramon, do Parnahyba, também engrossaram o coro da questionada atuação da arbitragem. Provocações feitas por juízes dentro de campo foram relatadas pelos atletas. Em Parnaíba, o assistente José Nilton foi acusado de chutar o vice-presidente do clube azulino, Francisco Ferreira, durante a saída para os vestiários. A atuação do juiz Afonso Amorim também não foi digna de elogios do clube, principalmente do volante Ramon.   

Algumas reclamações são pontuais e atribuo a declarações de perdedor. Neste campeonato não houve nenhum erro grave que pudesse manchar nossa credibilidade, competência e qualidade - João José Leitão, presidente da comissão de arbitragem.

- Ele (Afonso Amorim) ficou durante todo o jogo me provocando, dizendo que ia me expulsar. Creio que isso não seja uma ação de uma pessoa bem intencionada. Não o conheço, respeito o trabalho dele. Mas espero que ele também respeite o meu. Foi uma expulsão errada que com certeza prejudicou o Parnahyba no campeonato – considera o volante Ramon. 

Nem mesmo Paulo Moroni, técnico atual bicampeão piauiense, está satisfeito com o apito na temporada. O treinador do Piauí se incomoda com a falta de coerência nos jogos, fato que segundo Moroni acaba aumentando o grau de insatisfação.     

 - Já conheço os árbitros piauienses, são pessoas com quem trabalho há muito tempo, e sei que os clubes não tentam ter nenhuma influência sobre a atuação deles, e que eles também não permitiriam se tentassem. Então, realmente não sei o que acontecem este ano, pois as atuações dos árbitros estão tão ruins. Não é questão de errar, que isso faz parte do jogo, mas a falta de coerência, de às vezes marcar algo para um lado e não marcar em um lance igual para o outro lado – comentou Moroni.

Presidente responde críticas

A Comissão de Arbitragem do Futebol do Piauí trabalha com 10 árbitros e 25 assistentes-auxiliares no Campeonato Piauiense. De acordo com o presidente João José Leitão, o acompanhamento com os profissionais é feito através de quatro critérios: técnico (fundamentos da profissão), físico, mental e social (comportamento fora do campo).

Neste estadual, uma psicóloga desenvolve trabalho experimental de acompanhamento, dando orientações antes e depois das partidas, além de uma preparação. As acusações no início do campeonato, de acordo com o presidente, são pontuais e na sua totalidade recaem na máxima: quem ganha, elogia; quem perde, critica.  
- Avalio positivo nosso desempenho. Algumas reclamações são pontuais e atribuo a declarações de perdedor. Neste campeonato não houve nenhum erro grave que pudesse manchar nossa credibilidade, competência e qualidade. O que acontece são erros de jogo, insatisfação por uma expulsão considerada injusta, uma falta para time A ou B, um critério rigoroso ou não. Isso pode acontecer, mas considero como pontos de vista, não graves. Repito: não trouxemos prejuízos ao resultado de nenhuma partida no estadual – argumenta José Leitão.
Arbitragem no Campeonato Piauiense (Foto: Abdias Bideh/GloboEsporte.com)
Em defesa, presidente de comissão afirma que reclamações são pontuais (Foto: Abdias Bideh/GloboEsporte.com)
Leitão defende que os árbitros, em casos de má avaliação da regra, podem ser punidos, como o afastamento de partidas. Na interpretação do presidente da comissão, as análises de treinadores e jogadores tem o lado do clubismo, o que deixa a discussão parcial. 

- Fazemos reuniões rodada após rodada sobre o que aconteceu. Passamos algumas orientações pedagógicas a todos. Mas o que percebo é que a culpa é sempre do árbitro, é algo para desviar o foco. Por exemplo, um jogador de ataque que recebeu três cartões amarelos por indisciplina por três árbitros diferentes. O clube prefere deixar a sua responsabilidade de lado de orientar esse jogador e coloca a culpa no juiz. É mais fácil. Desafio a qualquer um mostrar um ato que faça perder nossa credibilidade – pontua Leitão.

* Colaboraram Wenner Tito e Emanuele Madeira 


Fonte: Globoesporte.com/pi

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