“’Huuumm... só quer ser o Mateus Portela!". Na minha adolescência e juventude essa frase era usada em Parnaíba para brincar com quem queria ser bonitão, descolado e se meter a fazer tudo.
O
Mateus era isso, o cara que todos queriam imitar, fazer o que ele
fazia, ser como ele era. ‘Como pode o cara ser bonito desse jeito e
ainda por cima estar sempre entre os melhores em todo esporte que se
mete a afazer?’. Muitos se perguntavam e eu agora acrescento: Como pode o
cara ser tudo isso e ainda se manter simples, sem se deixar levar pela
arrogância que a vaidade traz? Suas companhias eram desde o cara mais
rico da cidade ao nativo mais simples da Pedra do Sal, sem distinção de
tratamento.
A
família, os amigos, a natureza e o trabalho eram suas prioridades. Não
posso dizer que éramos amigos íntimos, mas tive a sorte de conviver com
ele em muitas oportunidades, como nas idas à ilha dos Poltros pra pegar
aquelas ondas gigantes, onde, depois de um dia inteiro de surf, ele
liderava a turma pra buscar a lenha da fogueira que iria assar os peixes
que ele comprava dos pescadores que voltavam do alto mar. Mas eu, como
muitos, não precisei de tanta proximidade para nutrir por ele uma
admiração e, nesse momento, sentir muito pela sua ida para o mundo do
qual viemos e para o qual todos voltaremos. Ao mesmo tempo me conforta
ter a certeza que o cara de espírito elevado que sempre praticou o bem,
que fez a alegria de muita gente e cultivou a simplicidade e a humildade
está agora em paz, lúcido e com a consciência tranquila de quem viveu
intensamente e só saudades boas deixou para nós, ainda prisioneiros
desse mundo.”
(*)André Veras é advogado, surfista e amigo de Mateus.
(*)André Veras é advogado, surfista e amigo de Mateus.
Fonte:Blog do B. Silva


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