(Caminho até título estadual tem vários percalços, mas habilidade de Josué Teixeira coloca time tricolor ao encontro de sua 28ª conquista de Campeonato Piauiense).
Por - GLOBOESPORTE.COM, Teresina (PI).
O desfecho do River-PI no Campeonato Piauiense de 2014 parecia que não iria ter um final feliz. Para os tricolores, ainda bem que o verbo colocou em dúvida a afirmação. Após eliminação para as semifinais do primeiro turno, do fracasso na contratação do treinador Evair e de um returno quase perdido após três derrotas, o Galo se reergueu. Sobreviveu. E cantou: conquistou sua 28ª taça estadual em cima do Piauí, após empatar os dois jogos da decisão. A chegada de Josué Teixeira, elenco forte e uma garra demonstrada até o último segundo foram os pontos fortes da glória comemorada no estádio Albertão.
| River-PI comemora a conquista do título do Piauiense 2014 (Foto: Emanuele Madeira/GloboEsorte.com) |
O título riverino coroa um momento esperado há anos. A taça, sonho de consumo de um planejamento da diretoria riverina para a Série D do Campeonato Brasileiro, veio após sete anos de jejum. As palavras do presidente Elizeu Aguiar depois da conquista mostram o desejo de formar um time competitivo no eixo norte-nordeste. A expectativa é alcançar a Série B nos próximos dois anos, assim como o vizinho Sampaio Corrêa, do Maranhão, fez.
- É um momento único. Sempre tivemos o sonho de projetar esse time para grandes campeonatos. Temos uma estrutura invejável, vamos subir ainda mais e convocar a iniciativa privada e a parceria pública. Esperamos um grande ano em 2015. O River-PI vai ser difícil de ser batido - comentou Elizeu Aguiar, emocionado, após a taça.
Com uma folha salarial que ultrapassa facilmente os R$ 100mil, o River-PI não poupou na hora de montar uma equipe para esta temporada. A diretoria rodou vários estados e trouxe jogadores com passagens por grandes clubes, tal como Marciano – que acabou sendo o artilheiro do estadual com 10 gols –, Esquerdinha e Thiago Marabá. A qualidade e a experiência foram diferenciais quando o time se encaixou. Outros nomes, não tão supervalorizados, foram destaques: casos do goleiro Everson e do lateral Rian.
Mas cabe um destaque especial a Josué Teixeira. O treinador saiu do Macaé, após salvar a equipe do rebaixamento no Campeonato Carioca, e aceitou o convite de um combalido River-PI. Enquanto muitos poderiam negar, Josué Teixeira estendeu a mão. Chegou a Teresina na quarta rodada do segundo turno e modificou a forma do time jogar. Mais do que definir um padrão de jogo, o técnico mexeu com o ânimo do grupo. Sacudiu, gritou, reclamou, criticou e se calou. Tudo na hora certa, em sua devida proporção.
Prova disso é que a campanha do River-PI tem dois momentos distintos. Na era Evair, foram duas vitórias, cinco empates e uma derrota (46% de rendimento). Na era Josué, cinco vitórias, dois empates e uma derrota (71% de rendimento). Para cada ano de espera pelo título, acompanhe um resumo da história tricolor em 2014:
01 - ATAQUE PODEROSO
Destaque, o ataque tricolor marcou 35 gols ao longo da competição. O trio Marciano, Esquerdinha e Marclei foi o responsável por 57% deles. Marciano, arrasador nos primeiros jogos do estadual, terminou o campeonato na artilharia. Esquerdinha, decisivo nas partidas eliminatórias, puxou o time para a 28ª taça estadual. O grupo nunca deixou de acreditar e a união marcou o elenco.
- Sabíamos que teríamos dificuldades. Quem acompanhou desde o começo, viu que não foi fácil. Mas contamos com um grupo maduro, que deu a volta por cima. Agora é comemorar - comentou Esquerdinha, destaque do River-PI.
02 - SÉRIE DE EMPATES: ELIMINAÇÃO FRUSTRANTE
A montagem do elenco com nomes de peso trouxe no começo uma esperança tricolor para o título. Mas foram cinco empates na fase classificatória do primeiro turno. Vitórias apenas com equipes pequenas, o Caiçara e o 4 de Julho. Com a campanha fraca, a equipe conseguiu um feito inusitado: ficou fora da fase decisiva da Taça Estado Piauí mesmo invicta, o que virou motivo de irritação e iniciou uma crise no poleiro do Galo.
| Treinador Evair faz gestos obscenos para arbitragem (Foto: Reprodução/TV Clube) |
03 - GESTOS OBSCENOS E DESCULPAS
Sem dúvida, a pior fase do River-PI foi vista no dia 26 de março de 2014. Após tropeço no primeiro turno, o time estreou na segunda fase. O adversário era o rival Parnahyba. Porém, não há boas lembranças. A partida marcou a despedida de Evair no comando do River-PI. Expulso pelo árbitro Antônio Santos Nunes na partida contra o Parnahyba, o então técnico riverino fez gestos obscenos ao quarto árbitro, discutiu com torcedores e comissão técnica do time adversário e somente saiu de campo após a chegada de policiais militares. Após o episódio, Evair se desculpou. Mas a cena foi o ponto final na trajetória conturbada do treinador no Galo.
04 - JOSUÉ TEIXEIRA: A SALVAÇÃO
Após Evair e dois jogos com o auxiliar Lucas Andrade, o River-PI foi buscar Josué Teixeira. O nome do carioca já era cotado desde o início do estadual, mas só teve o contrato firmado no dia 04 de abril de 2014. Em pouco mais de um mês no comando do Tricolor, uma mudança na história. Responsável pela empolgação, Josué Teixeira teve uma "mão divina" para controlar o grupo, sabendo usar a estratégia para bater os rivais. Fechando quando deveria fechar. Atacando quando deveria atacar. Com ele, o time buscou a classificação fora de Teresina. Ganhou do Barras na última rodada do segundo turno, do Parnahyba nas semifinais e do 4 de Julho na decisão da Taça Cidade Teresina. E na grande final, contra o Piauí, acabou vencendo o "papa títulos" do Piauí: Paulo Moroni, detentor de quatro campeonatos piauienses.
| Amarildo, volante do River-PI, passa mal (Foto: Marco Freitas) |
05 - AMARILDO: SÍMBOLO DE RAÇA
Com um grupo marcado pelo discurso da união, a garra de um volante se transformou momento marcante da conquista tricolor. Foi no dia 4 de maio de 2014, na semifinal contra o Parnahyba, no estádio Verdinho, litoral piauiense. Após classificação de virada, por 2 a 1, Amarildo desmaiou no vestiário do time. Sem encontrar uma ambulância no local, o jogador foi carregado desacordado pelos companheiros até uma viatura da polícia militar, que levou o atleta até um hospital público. Com uma exibição impecável, Amarildo teve uma contratura muscular seguida de forte exaustão. A cena representou muito para o grupo no quesito determinação.
- A gente tinha a responsabilidade de vencer e saímos atrás no primeiro tempo. No final, tínhamos que correr dobrado para reverter o resultado. Mas o esforço foi recompensado. Deu tudo certo - comentou Amarildo, à época.
06 - TORCIDA NÃO ABANDONOU
Das arquibancadas, o som não parou nenhum minuto. Esse foi o estímulo que não faltou aos jogadores do River-PI para a conquista. Nem mesmo quando a fase era ruim, as críticas foram mais fortes do que o apoio. Em cada estádio, mesmo fora de Teresina, havia torcedores tricolores vibrando. Com a taça de campeão, valeu cada esforço, lágrima e festa. A campanha do "Eu acredito" funcionou, e o time embalou.
- O título é dessa torcida linda que sempre esteve em peso - agradeceu o zagueiro Gabriel.
| Torcida River-PI no Campeonato Piauiense (Foto: Emanuele Madeira/GloboEsporte.com) |
07 - O CAMPEÃO VOLTOU: ACABOU O PÉ-FRIO
O fim do jejum de sete anos desfez uma imagem que já caíra no imaginário tricolor: a fama de pé-frio do presidente Elizeu Aguiar. Desde que assumiu o comando do clube, o River-PI não havia sido campeão. Em 2007, o time conquistou a taça, mas Elizeu estava fora da presidência. Apesar de tantos questionamentos, Elizeu enfrentou as críticas. E venceu. Méritos dele e de uma equipe que soube aproveitar o momento. O River-PI será o representante do Piauí na Série D do Brasileirão, voltando a uma competição nacional, Copa do Brasil de 2015 e Copa do Nordeste.
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